A esteira da academia nasceu como castigo para presos na Inglaterra
Criada em 1818 pelo engenheiro William Cubitt, a roda de degraus obrigava detentos a subir sem parar por horas; só no século 20 virou aparelho de exame e de ginástica
Antes de lotar as academias, a esteira foi pensada para cansar presos. Em 1818, o engenheiro inglês William Cubitt criou uma roda gigante de madeira, com degraus em volta, onde os detentos tinham que pisar sem parar. A máquina ficou conhecida como treadwheel, a avó da esteira de hoje.
No começo do século 19, as prisões inglesas estavam lotadas, e muita gente acreditava que os presos ficavam à toa nas celas. A roda de Cubitt resolvia as duas coisas: ocupava o tempo e servia de punição.
Uma escada sem fim
Os presos ficavam em fila, lado a lado no alto da roda, segurando uma barra de madeira. Cada um ocupava um compartimento separado por divisórias, para não conversar com o vizinho. Conforme pisavam, a roda girava e eles precisavam continuar subindo, como numa escada infinita.
Os turnos passavam de seis horas por dia. Cálculos da época apontavam que um preso chegava a subir o equivalente a milhares de metros num único dia.
Em algumas prisões, a roda movia moinhos que moíam grãos. Em outras, não produzia nada e servia só para cansar. O castigo se espalhou pela Inglaterra e chegou aos Estados Unidos. Até o escritor Oscar Wilde passou pela roda quando foi condenado a trabalhos forçados, em 1895.
Do castigo ao exame do coração
Com o tempo, a punição passou a ser vista como cruel, e no fim do século 19 a Inglaterra começou a abolir as rodas das prisões.
A ideia só voltou no século 20, com outra cara. Primeiro como aparelho para exames do coração, o teste de esforço que até hoje se faz em consultório. Depois, como a máquina que ocupa fileiras inteiras nas academias.
Quem reclama de 30 minutos de esteira pode pensar nos presos ingleses, que subiam por mais de seis horas e sem direito a parar.