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A manteiga de Lavras que ganhou medalha de ouro no Rio: a fábrica da Escola Agrícola

Antes de virar UFLA, a escola fazia mais de 2 mil quilos de manteiga Agrícola Nova por mês, tinha máquina de gelo dinamarquesa e vendia para o Rio, São Paulo e Belo Horizonte

Por André Rocha · 18/10/2026, 11:37
Direção Geral e de Jornalismo: Erlandson Araujo
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A manteiga de Lavras que ganhou medalha de ouro no Rio: a fábrica da Escola Agrícola

Antes de virar UFLA, a Escola Agrícola de Lavras tinha uma fábrica de manteiga que mandava produto para o Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. A marca se chamava Agrícola Nova, saía da Fazenda Modelo da escola e chegou a ganhar medalha de ouro no Rio, em 1929.

A história está guardada no projeto Memórias UFLA, que reúne documentos, fotos e a revista O Agricultor, publicada pela própria escola nos anos 1920 e 1930.

O rótulo da manteiga Agrícola Nova, de primeira qualidade, fabricada de puro leite na Fazenda Modelo da Escola Agrícola de Lavras, em lata de cinco quilos
O rótulo da manteiga Agrícola Nova, de primeira qualidade, fabricada de puro leite na Fazenda Modelo da Escola Agrícola de Lavras, em lata de cinco quilos

Leite na sala de aula

A ideia vinha do fundador da escola, o missionário Samuel Rhea Gammon. Em 1908, ele escreveu que o curso de agricultura tinha que ensinar a plantar, a colher, a criar gado e a fazer o que Minas Gerais mais sabia fazer: laticínio. A matéria de Laticínios entrou no último ano do curso, e as aulas práticas começaram em 1909, na Fazenda Modelo Ceres.

Naquele mesmo ano, o diretor Benjamin Hunnicutt já tinha comprado as primeiras máquinas para fazer manteiga e pasteurizar leite. Era uma aposta ousada: no Brasil havia poucas fábricas, e ainda se vendia manteiga importada da França.

A Fazenda Ceres, da Escola Agrícola de Lavras, em 1926, com o estábulo e o gado leiteiro
A Fazenda Ceres, da Escola Agrícola de Lavras, em 1926, com o estábulo e o gado leiteiro

Um prédio só para o leite

Em 1929 ficou pronto o Edifício de Laticínios, antes até do Prédio Odilon Braga, um dos quatro principais da escola. Tinha máquinas para manteiga e queijo e um laboratório para analisar o leite, com aparelhos para medir gordura, acidez, sal e impurezas.

A grande novidade era uma máquina de fazer gelo, da fabricante dinamarquesa Atlas, de Copenhague. Segundo o jornal Tribuna do Povo, de 1928, ela produzia de 336 a 380 quilos de gelo em 24 horas, numa época em que gelo em Lavras era luxo.

O Edifício de Laticínios da Escola Agrícola de Lavras, em foto do prospecto da escola de 1931
O Edifício de Laticínios da Escola Agrícola de Lavras, em foto do prospecto da escola de 1931
Trabalhadores da fábrica de manteiga da Escola Agrícola, com a batedeira e as máquinas movidas a motor elétrico
Trabalhadores da fábrica de manteiga da Escola Agrícola, com a batedeira e as máquinas movidas a motor elétrico

Mais de 2 mil quilos por mês

Os motores elétricos tocavam a desnatadeira, a batedeira, a salgadeira e a espremedeira. Uma caldeira a vapor garantia o motor de emergência e esterilizava os aparelhos. Por mês, a fábrica produzia mais de 2 mil quilos de manteiga. O leite pasteurizado também era entregue na cidade, em vasilhames esterilizados.

O encarregado da fábrica era o senhor José Firmino de Souza, o Seu Nenê. As análises de laboratório ficavam com o senhor Antonio Mendes de Carvalho, auxiliar técnico, que também escrevia artigos para O Agricultor.

Os equipamentos de salga e embalagem da manteiga, na década de 1930
Os equipamentos de salga e embalagem da manteiga, na década de 1930
Por dentro do laticínio da Escola Agrícola de Lavras
Por dentro do laticínio da Escola Agrícola de Lavras

Duas medalhas de ouro

A qualidade rendeu prêmio. A Agrícola Nova levou medalha de ouro na 2ª Exposição de Leite e Derivados, no Rio de Janeiro, em 1929, e outra na exposição dos 50 anos da Estrada de Ferro Sul de Minas, em 1934. A escola também levava seus produtos para as exposições agropecuárias da época.

Exposição de produtos lácteos da Escola Agrícola de Lavras, na década de 1930
Exposição de produtos lácteos da Escola Agrícola de Lavras, na década de 1930

A vaca Rainha e o touro Primus

O leite vinha de rebanhos melhorados das raças Holandesa e Schwytz, com reprodutores puros trazidos dos Estados Unidos e da Europa. O Agricultor publicava até as estrelas do estábulo: o touro Primus, importado da América do Norte, e a vaca Rainha, que dava dez litros de leite por dia. O estábulo ficava bem em frente ao prédio do laticínio.

O gado da Fazenda Modelo da Escola Agrícola de Lavras
O gado da Fazenda Modelo da Escola Agrícola de Lavras

Quase cem anos depois, a lição continua em sala. A antiga matéria de Laticínios hoje se chama Tecnologia de Leite e Produtos Lácteos e é dada aos alunos de Zootecnia da UFLA.

A capa da revista O Agricultor de junho de 1936, com o prédio do laticínio da Escola Agrícola de Lavras
A capa da revista O Agricultor de junho de 1936, com o prédio do laticínio da Escola Agrícola de Lavras

E você, lembra?

Alguém da sua família comprou a manteiga Agrícola Nova ou trabalhou no laticínio da Escola Agrícola? Quem guarda lata, rótulo ou foto antiga pode procurar a redação da Rádio Cultura.

Fontes

Memórias UFLA, Edifício de Laticínios: fábrica de manteiga e ensino (memorias.ufla.br), com base em O Agricultor (1925 a 1936), no prospecto da Escola Agrícola de 1931, no jornal Tribuna do Povo (1928) e no acervo do Museu Bi Moreira.

Mais histórias da cidade no Programa Revista da Cidade, na Rádio Cultura de Lavras 96.5 FM, de segunda a sexta, das 11h às 14h.

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