Obesidade em cães e gatos é doença, não fofura, alerta veterinária na UFLA
Em entrevista à Rádio Cultura com o Núcleo de Estudos em Pequenos Animais (NEPA), a veterinária Susana Mantuani explicou como saber em casa se o animal está acima do peso e quais petiscos podem ser oferecidos
Aquele pedaço de pizza ou de churrasco que o cachorro ganha depois de raspar a pata na perna do dono pode custar caro. A médica veterinária Susana Mantuani, doutoranda em nutrição de pequenos animais na Universidade Federal de Lavras (UFLA), alerta que a obesidade em cães e gatos ficou comum, mas não deve ser vista como normal: "Ela não é fofura. A obesidade tem que ser tratada como uma doença".
A conversa foi com o repórter Gabriel Dinali, da Rádio Cultura de Lavras, na UFLA, ao lado das estudantes do NEPA, o Núcleo de Estudos em Pequenos Animais, do curso de Medicina Veterinária.
Excesso de peso traz doença
Segundo a veterinária, o sobrepeso e a obesidade causam problemas nas articulações, no coração e no sistema endócrino. Ela lembra que o animal que ganha resto de comida da mesa já recebe uma ração calculada e balanceada para ele, e que muita gente só procura um especialista em nutrição quando o problema já apareceu.
O tempero de casa também é perigoso. Arroz com alho e cebola e carne cheia de sal podem provocar vômito e diarreia e até levar o animal à internação. "Pode dar, mas procura o profissional primeiro, para ver o que pode ser fornecido e em qual quantidade", orientou.
O teste da palma da mão
Para saber se o animal está no peso certo, a balança ajuda, mas o jeito mais fácil é apalpar as costelas. Elas não devem aparecer, mas precisam ser sentidas sem esforço. Susana ensinou um truque usado com os estudantes:
- Palma da mão, na parte macia: se as costelas parecem assim, sem osso nenhum, o animal está obeso. - Base dos dedos: dá para sentir o osso sem ver: é o peso ideal. - Região em que o osso fica mais evidente: o animal tende a estar abaixo do peso. - Osso saltado, quase sem nada por cima: o animal está muito abaixo do peso.
Ela também alerta para a perda de massa muscular: o cachorro que o dono acha "forte" muitas vezes trocou músculo por gordura e passa a ter dificuldade para sustentar o próprio quadril.
Ração, comida natural e sachê
A veterinária lembra que a chegada da ração ao mercado foi um marco, porque acabou com doenças por falta de nutrientes, como o raquitismo. A alimentação natural, feita com alimentos de consumo humano, é possível, mas exige cuidado com vitaminas e minerais, já que o metabolismo de cães e gatos é diferente do nosso e diferente entre eles.
O sachê é uma boa opção principalmente para os gatos, que herdaram dos ancestrais do deserto o hábito de beber pouca água e precisam de comida mais úmida. Ao contrário de pôr água na ração, o sachê não faz o gato parar de beber no pote. O ponto fraco é a caloria baixa: em alguns casos seriam quase 300 gramas por dia, e cada sachê tem cerca de 85 gramas.
Quando o animal recusa a ração, Susana recomenda olhar a boca dele. Gengiva inflamada dói, e muitas vezes o animal "seletivo" está com dor. A limpeza dos dentes feita pelo veterinário, a tartarectomia, seguida de escovação, costuma resolver.
Petiscos liberados
Para o animal que fica pedindo comida, as dicas são frutas e legumes. O chuchu é o preferido da veterinária, porque tem muita água e fibra e deixa o animal saciado, sempre cozido. Pepino e morango também têm poucas calorias. A manga pode, mas não para os animais acima do peso. As frutas podem ser dadas cruas; os legumes, sempre cozidos.
O que é o NEPA
O núcleo reúne estudantes de Medicina Veterinária da UFLA em encontros toda terça-feira, com um veterinário convidado ou um colega apresentando um tema da clínica de cães e gatos. Qualquer aluno do curso pode participar, de qualquer período, depois de uma entrevista de seleção. Participaram da conversa as estudantes Izabelle, do 3º período, Clara, do 2º, e Milena, do 8º. "Na aula a gente vê os assuntos mais por cima; o núcleo aprofunda na área que a gente mais tem interesse", contou Milena.
Assista à entrevista completa no vídeo desta matéria.