No CAIC, Ana Maria e seu Sérgio votam debaixo de chuva e cobram salário, saúde e estradas melhores
Aos 57 anos, a moradora do Jardim Glória diz que veio votar por obrigação e lembra as horas de espera na UPA com a mãe. Aos 70, com o voto facultativo, seu Sérgio saiu da comunidade do Funil para votar.
Ana Maria, de 57 anos, e seu Sérgio, de 70, enfrentaram a chuva na manhã deste domingo (25) para votar no segundo turno no CAIC, a Escola Municipal Itália Cautiero Franco, no Jardim Glória, em Lavras. Os dois conversaram com o repórter Gabriel Dinali, da Rádio Cultura, e falaram de salário curto, fila na saúde e estrada ruim.
Moradora do próprio Jardim Glória, Ana Maria disse que, quando perguntam se ela vai pela direita ou pela esquerda, responde que vai reto. "Não está resolvendo praticamente nada. É muita gente passando fome, necessidade", afirmou. Para ela, o trabalhador volta do mercado com pouca sacola enquanto o salário dos políticos só cresce. "Eu vim por obrigação mesmo."
Horas de espera na UPA
A eleitora contou que cuida da mãe, que tem Alzheimer, e que o atendimento na UPA é o que mais pesa. Segundo ela, quem não fica internado espera o médico por duas, três, quatro, até cinco horas. "Se você não tiver um dinheiro para comprar alguma coisa para comer, tanto o doente quanto o acompanhante passam fome naquele local. É um descaso muito grande, principalmente com a saúde."
Voto facultativo, mesmo na chuva
Aos 70 anos, seu Sérgio já não é obrigado a votar, mas saiu da comunidade do Funil para ir à urna. Ele reclamou que o salário perde valor ano a ano e que a revisão que antes melhorava o pagamento deixou de existir. Pai de dois filhos que moram em São Paulo, disse que torce por um país melhor para eles, seja quem for o eleito.
Sobre as estradas, comparou Minas com São Paulo: lá o pedágio é caro, mas compensa, porque a pista e a sinalização são boas. "Aqui precisa de melhora nas estradas. Muita coisa precisa melhorar no Brasil."
"Depende dos jovens"
Ana Maria disse que não acredita mais em mudança para a geração dela e que o futuro está na mão dos filhos e netos. Ela lembrou que a tecnologia vai fechar vagas de trabalho braçal e pediu um presidente "com um coração humano", que olhe para os pobres. "São os pobres que fazem o comércio andar, são os pobres que gastam mais no mercado."
No fim da conversa, ela ainda brincou com o preço das viagens, "um ano pagando e sete dias viajando", e com o almoço de domingo: disse que ia ver se o marido conseguiu comprar picanha com o troco do salário.
Sintonize a Rádio Cultura de Lavras 96.5 FM para acompanhar a apuração do segundo turno.