Dia Nacional do Livro: João do Sebo conta como um filme de 1975 o levou a ler Shakespeare inteiro
Referência em leitura em Lavras, ele explica por que não aceita que chamem sua loja de livros usados, no Centro, de livraria
Um filme visto em 1975 no antigo Cine Pena levou João, conhecido em Lavras como João do Sebo e João da Praça, a ler toda a obra de William Shakespeare. Mais de 50 anos depois, ele é referência em leitura na cidade e recebeu a reportagem da Rádio Cultura nesta quinta-feira (29), Dia Nacional do Livro, no sebo que mantém no Centro.
"O que seria da humanidade sem os livros? O conhecimento passado de séculos e séculos", disse. "Se hoje eu sei alguma coisa, eu devo aos livros. E a minha missão é exatamente passar para as pessoas esse conhecimento."
A paixão começou com Romeu e Julieta. "Eu saí em choque", lembrou. Ele quis saber quem tinha escrito a história, descobriu o nome de Shakespeare e foi atrás dos livros na biblioteca do Gammon, onde estudava à noite. Cinco anos depois, já fazia exposições de cinema em Lavras, Tiradentes e no próprio Gammon, além de dar palestras sobre o assunto.
João não gosta que chamem a loja de livraria. Ali os livros são usados, e o nome vem disso. Com um exemplar de Dom Casmurro, de Machado de Assis, nas mãos, ele explicou: "A pessoa às vezes pega o livro, a mão não está limpa, o livro vai ficando ensebado". Quem passa por lá pode procurar e comprar entre os muitos títulos das estantes.
O sebo abre das 10h às 18h. Morador do Jardim Glória, João brinca que a casa serve mais para dormir: passa oito horas por dia entre as estantes.
A entrevista abriu com uma frase de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes: "Aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito".
Assista à entrevista completa no vídeo.