Rádio Cultura de Lavras
🔴 No ar: Programação Musical 🌡️ Lavras agora: 25°C · Céu limpo · máx 25° mín 16° 💵 Dólar R$ 5,08 💶 Euro R$ 5,71 ₿ Bitcoin R$ 410.617 ☕ Café (sc 60kg) R$ 1.601,25 📰 Rádio Cultura visita a festa das crianças na comunidade do Lavrinhas 📻 96.5 FM · Lavras e região
Memória

Dia do Médico: Dr. Augusto Silva enterrou vítimas da varíola e virou nome da praça central

Formado em 1872, o médico que dá nome à praça mais conhecida de Lavras atendia quem não podia pagar, foi prefeito e teve enterro com gente de toda a região

Por André Rocha · 18/10/2026, 06:04
Direção Geral e de Jornalismo: Erlandson Araujo
Compartilhe: WhatsApp Facebook

Numa epidemia de varíola em Carmo da Cachoeira, os moradores entraram em pânico e ninguém tinha coragem de enterrar os mortos. Quem enterrou foi o médico lavrense Dr. Augusto José da Silva. O episódio está registrado no livro "Lavras, sua história, sua gente", de José Alves de Andrade, publicado em 2002.

Neste 18 de outubro, Dia do Médico, data ligada a São Lucas, padroeiro da medicina, a série Profissão do Dia lembra o homem que dá nome à praça mais conhecida de Lavras.

Formado no Rio em 1872

Augusto José da Silva nasceu em Lavras em 5 de julho de 1845, filho do advogado Dr. José Jorge da Silva, o mesmo que dá nome à Praça Dr. Jorge, e de dona Joana Miquilina Bonfim. Fez as primeiras séries em Lavras, continuou os estudos em São Gonçalo da Campanha e no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, e se formou em medicina na Escola da Corte em 1872, aos 27 anos.

Clinicou dois anos em Lavras e se mudou para Bom Sucesso, onde se casou com Belmira Cândido da Fonseca, em 1874. O casal teve seis filhos. Viúvo, voltou para Lavras e seguiu atendendo na cidade e na região.

O dinheiro que chegava de madrugada

Segundo José Alves de Andrade, a maior parte dos doentes que procuravam o Dr. Augusto não tinha como pagar a consulta. Os pacientes, então, faziam uma vaquinha, e alguém levava o dinheiro escondido, de madrugada, sem se identificar. Era o único jeito de a ajuda chegar até ele, porque o médico se negava a receber.

O mesmo livro descreve o Dr. Augusto como republicano e antiescravagista, num Brasil que só aboliu a escravidão em 1888. Ele foi também adepto e pregador da doutrina espírita, e hoje um centro espírita da cidade leva o nome dele, segundo o pesquisador Geovani Németh-Torres, do blog História de Lavras.

Prefeito nos primeiros anos da República

Com a República, o médico entrou na vida pública. Foi Agente Executivo de Lavras, cargo que equivalia ao de prefeito, entre 1893 e 1894, segundo a lista de chefes do Executivo reunida por José Alves de Andrade e o registro do blog História de Lavras.

Escrevia também. Em 1887, no jornal O Lavrense, reclamou que o ensino primário na cidade era "defficientissimo, notavelmente nos estabelecimentos publicos", na grafia da época. Anos depois da morte dele, o jornal O Município publicou, em 17 de maio de 1914, um texto seu chamado "A Caridade".

A caridade é a excelsa entre as virtudes.

Dr. Augusto Silva, em "A Caridade" (O Município, 17/5/1914, citado pelo blog História de Lavras)

Pobres ajoelhados no enterro

O Dr. Augusto se casou pela segunda vez em janeiro de 1905, com Maria Benícia da Silva, e morreu em dezembro do mesmo ano, aos 60 anos. Andrade conta que o enterro foi um dos mais concorridos da cidade, com gente vinda de toda a região, e que os pobres se ajoelhavam chorando junto ao corpo.

O educador Firmino Costa escreveu em 1908 que o médico foi "a maior intelectualidade que Lavras tem produzido".

A praça, a herma e o tombamento

O antigo Largo de Sant'Ana, que em 1908 virou a Praça Dr. Augusto Silva, na foto mais antiga conhecida da praça, ainda no século 19
O antigo Largo de Sant'Ana, que em 1908 virou a Praça Dr. Augusto Silva, na foto mais antiga conhecida da praça, ainda no século 19

No mesmo ano de 1908, o antigo Largo de Sant'Ana virou Jardim Municipal, a praça que leva o nome do Dr. Augusto Silva. No centro dela fica uma herma em homenagem ao médico. Em 2006, pelo Decreto nº 6.671, a Prefeitura tombou o conjunto das praças Dr. Augusto Silva e Leonardo Venerando Pereira como patrimônio cultural de Lavras.

A história de pai e filho que viraram nome de praça, e da tipuana centenária que deu semente para a outra, a Rádio Cultura já contou nesta reportagem.

Fontes: "Lavras, sua história, sua gente", vol. I, de José Alves de Andrade (2002); blog História de Lavras, de Geovani Németh-Torres, com citações de Firmino Costa (1908), O Lavrense (14/9/1887) e O Município (17/5/1914); Inventário de patrimônio da Prefeitura de Lavras, reproduzido pelo iPatrimônio. No vídeo, a Praça Dr. Augusto Silva vista de cima, com o chafariz e o ipê amarelo. Imagens aéreas: Rádio Cultura de Lavras.

Mais histórias de Lavras no Programa Revista da Cidade, na Rádio Cultura de Lavras 96.5 FM, de segunda a sexta, das 11h às 14h. Quem tiver foto antiga do Dr. Augusto Silva ou da herma pode mandar para a redação.

O que você achou?
Compartilhe: WhatsApp Facebook

💬 Comentários (0)

Leia também

96.5 FM
● AO VIVO Rádio Cultura 96.5 FM