Dia do Maquinista: da bitolinha de 1895 ao fim da Rede Ferroviária, vídeo conta a história dos trilhos em Lavras
Homenagem da Rádio Cultura tem imagens reais da maria-fumaça da Praça da Estação e fotos antigas da estação, do Bar da Estação e da Escola Profissional Ferroviária
A maria-fumaça que está na Praça da Estação puxou trem nos trilhos de 1929 a 1969. É ela que abre e fecha o vídeo que a Rádio Cultura preparou para este 20 de outubro, Dia Nacional do Maquinista Ferroviário, em homenagem aos homens que conduziram as locomotivas por Lavras.
São dois minutos de imagens reais: a locomotiva gravada pelo repórter Gabriel Dinali, fotos antigas da estação, do Bar da Estação e da Escola Profissional Ferroviária, e cenas de cabine e caldeira usadas como ilustração.
A chegada da bitolinha
O trem chegou à região em 14 de abril de 1888, pela estação de Ribeirão Vermelho, onde a rotunda guardava e consertava as locomotivas. Em 1º de abril de 1895, Lavras ganhou a sua estação, nos trilhos de 0,76 metro da Oeste de Minas, a famosa bitolinha.
A estação virou o coração da cidade. Era ali que Lavras ia buscar quem chegava e se despedir de quem partia. Em volta dela nasceu o comércio da zona norte, e muito namoro de Lavras começou na plataforma.
Em 1917 vieram as oficinas da Oeste de Minas, que deram ofício e sustento a muitas famílias lavrenses. Em 1º de setembro de 1926 abriu a Estação do Bicame, depois chamada Costa Pinto. O prédio é hoje o Teatro Municipal.
Dias longe de casa
Na cabine ia o maquinista: o calor da caldeira no rosto, o olho no trilho e no horário. Ele passava dias fora, dormindo longe da família, levando gente e mercadoria pelos trilhos de Minas.
Até o fim da Rede
A ferrovia trocou de dono várias vezes. A Rede Mineira de Viação assumiu em 1931, a Viação Férrea Centro-Oeste em 1965 e, a partir de 1975, a linha passou para a Rede Ferroviária Federal S.A., a RFFSA.
O trem de passageiros parou nos anos 1990. Em 1996, a malha da RFFSA na região foi entregue à iniciativa privada, na concessão à Ferrovia Centro-Atlântica. A Rede entrou em liquidação em 1999 e foi extinta em 2007, por lei federal. Em 2015, a linha-tronco que passava por Lavras foi abandonada, e a estação de 1895 ficou vazia.
A maria-fumaça da praça ficou. Em 2013, um ferroviário aposentado devolveu a ela a pintura, e ela segue lá, guardando a memória da cidade.
A profissão continua
O trem de passageiros acabou, mas o ofício segue vivo: Lavras ainda tem cerca de 40 maquinistas em atividade. A lembrança veio de um seguidor da rádio, @guisimas2, nos comentários da homenagem no Instagram.
O vídeo não cita nomes, para que a homenagem alcance todos os maquinistas que passaram pelos trilhos de Lavras. Quem tem foto, caderneta ou história de um ferroviário da família pode procurar a redação da Rádio Cultura.
Os fatos históricos têm como base o levantamento do site Estações Ferroviárias do Brasil, de Ralph Mennucci Giesbrecht, e o histórico da cidade publicado pela UFLA.